quarta-feira, janeiro 27, 2010

Li...

O romance O Leitor ( Vorleser) de 1995, do escritor alemão Bernhard Schlink. Li uma edição que ganhei da senhorita Denize, como presente de amigo secreto no último réveillon [2009/2010]. O livro é narrado por Michael, que se envolve aventurada, profunda e amorosamente com Hanna, uma mulher madura, fria e misteriosa.

Em 1958, Michael então com 15 anos, passa mal durante o trajeto do U-Bahn (bonde) e acaba vomitando na entrada de um prédio, sendo socorrido por Hanna Schmitz. Em casa, Michael é diagnosticado como portador de escarlatina. O médico ordena que o jovem fique de cama pelos três meses.

Após a recuperação, ele manifesta vontade de visitar a desconhecida que o ajudara. Os dois acabam se envolvendo e passam a ter um caso. Durante os encontros no apartamento da trocadora, o jovem passa a ler para ela obras literárias que estuda no colégio, como a Odisséia, de Homero, A Dama do Cachorrinho, de Anton Checkhov. Os encontros passam, então, a ter sempre uma sessão de leitura seguida um banho e de uma relação sexual. Um belo dia, Hanna subitamente desaparece sem deixar rastros.

Michael cursando Direito na Universidade de Heidelberg, como parte de um seminário, passa a assistir o julgamento de várias mulheres acusadas de terem deixado trezentas prisioneiras judias morrerem queimadas em uma igreja em chamas no ano de 1944, em um evento conhecido como "Marcha da Morte", ocorrido após a evacuação do campo de Auschwitz. Uma das rés é Hanna Schmitz.

Durante o julgamento Michael junta os pontos e acaba descobrindo que Hanna não sabe ler nem escrever. E por conta desse infortúnio (claro que não só por isso) acaba sendo condenada à prisão perpétua. Michael não interfere no julgamento com a informação que detém. Sua vida estava afetada pelo envolvimento com Hanna até seus últimos dias.

O livro é simples, direto, sem rodeios. E por ser assim, influencia o leitor (no meu caso foi assim) a não parar de ler até chegar ao fim, pois tudo é apresentado de forma leve, apesar dos fatos não serem tão leves assim. O Leitor foi adaptado para o cinema em 2008. No meu entender, o filme completa o livro, deu contornos emocionais que a obra literária muitas vezes não conseguiu imprimir em suas linhas.

domingo, janeiro 24, 2010

3 anos de Manifestos Insanos...

... ou, pelo menos, tentando ser o tanto de insano quanto gostaria.

Esse meu espaço aqui na rede mundial de computadores completou três anos de idade. A primeira vez que escrevi foi no dia 15 de janeiro de 2007, portanto estou indo para o quarto ano de compartilhamento voluntários de minhas coisas, meus anseios abstratos, esse tipo de loucura que acaba sendo bem normal hoje em dia.

O contador que coloquei contabilizou até hoje pouco mais de 4.300 visitas. Fico lisonjeado em visualizar essa informação. É gratificante saber que pessoas lêem, retiram um pouco de tempo e raciocínio para tentar entender o que descarrego por aqui.

Bom, ainda não comemorei esse fato. Nem sei se devo. O que sei é que esse espaço ainda continuará ativo por mais um bom tempo. Gosto de escrever. Escrever alivia dores, transforma sensações, ajuda a entender melhor determinados pensamentos e serve muito bem quando se quer demonstrar afetos. Escrever realmente é uma terapia gratuita.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

80

É interessante o quanto uma simples criação artística (vezes nem chega a ser isso), técnica e profissional como é o cinema pode nos influenciar e trazer reflexões. Já perdi a conta das vezes que fiquei alguns minutos pensando antes, durante ou depois de um filme. Filmes bons ou ruins. Na sala de cinema, em casa ou na casa de um amigo ou parente.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Li...

Admirável Mundo Novo, escrito pelo autor inglês Aldous Huxley, em 1932. A edição que li é uma dessas de bolso, publicada pela editora Globo. Conhecia esse livro há tempos, coisas esparsas que li na internet ou de citações indiretas, ou quase indiretas, de gente como a cantora Pitty (o título de seu primeiro CD, Admirável Chip Novo, foi baseado no título do livro) e a música do louvável Zé Ramalho, Admirável Gado Novo (quem não conhece essa música?).

Interessantíssimo o livro. Hoje pode-se perceber muito do que é mostrado através das palavras do autor, mas para a época que foi lançado seria algo quase que impossível de se pensar.

As citações de William Shakespeare, o famoso dramaturgo inglês, é um ponto forte do livro. Não só as citações, mas também o modo como elas foram encaixadas no enredo da novela de Huxley. Impossível não perceber a influência desse livro em filmes que há algum tempo assisti e gostei bastante, como Gattaca (1997), Matrix (1999) e Equilibrium (2002). Talvez em dezenas de outros filmes, claro.

Foi uma boa experiência essa leitura.

domingo, janeiro 03, 2010

79

A vida é tão besta pra ficarmos procurando tanto sentido nela. Viver é o melhor. Quando achamos alguém que vale muito a pena ficar junto, que podemos ser reais, sem a necessidade de fingir ou agir de determinada forma já pensada. Muito bom. Viver resolvendo os problemas como num video game.

sábado, dezembro 26, 2009

Profissão, futuro e presente

Há tempos gostaria de escrever algo aqui relacionado ao meu futuro profissional ou coisa parecida. É de conhecimento de muitos que sou um acadêmico do curso de Direito. Ainda hoje, passados quase o limite da grade curricular do curso, percebo-me a falar com meus botões o porque ou não porquês de ter adentrado nesse curso tão cheio de história e tradição. Nesse curso tão falado e concorrido até certo ponto. Além disso, várias outras coisas passam por meus neurônios adormecidos. O que seria uma profissão? Quando terminar o curso poderei responder essa pergunta ou não. Poderei saber o que é ser um profissional em algo ou não. Mas será que é realmente necessários graduar-se num curso assim para ser profissional? Temos inúmeros exemplos que não. Só que, particularmente falando do curso de Direito, percebo que é mais que necessário, é imprescindível, parece óbvio. Penso até que toda pessoa deveria ter a mínima noção do conteúdo que aprendemos no curso de ciências jurídicas. Talvez, desde a revolução francesa, os seres humanos neste mundo são regidos por códigos e posturas elaboradas por seus representantes, por eles mesmo também, e talvez por ser tal forma conveniente para todos que acabaram por se acostumar, de modo que hoje em dia não ligam, pensam que sempre foi assim e dão as costas para a sociedade legalizada e organizada, achando que a vida é algo simples e suas funções se limitam aos poucos pensamentos que na maioria das vezes só passam pela ideia do dinheiro e prazeres imediatos.

Muitos futuros juristas, ou seja, advogados, magistrados, membros do ministério público, pensam de forma simples e pragmática em relação aos dias atuais. Resumindo suas funções a meros expedientes diurnos que acabam em discussões sobre as características acerca do que é bom ou ruim. Certo ou errado. Bem ou mau. Posso estar fazendo uma autocrítica severa, aliás, tenho quase certeza que deveras estou, pois tudo que exteriorizamos, acredito, tem muito de nós mesmos, sobretudo nesses espaços solitários e poucos altruístas da internet.

Sinto a necessidade de reconhecer que se não fosse pela escolha que fiz, pois em determinado momento tive que fazer a escolha difícil entre uma universidade pública com um curso que desejava com cinquenta por cento de vontade pelo de Direito que agora estou quase a terminar numa universidade particular. Continuando... Sinto a necessidade de reconhecer que se não fosse esse curso eu não teria as mais diversas e enriquecedoras experiências que tive nos últimos anos. Reconheci que me relacionei com pessoas diferentes, com habilidades diferentes e melhores que as minhas. Fiz amizades e consegui passar por caminhos tortuosos e situações estranhas. Foi e continua sendo um grande aprendizado. Sou grato por cada um que pude observar, pude ver como é o seu modus operandi. Por cada qual que me chamou a atenção, que brincou comigo ou não. As experiências em estágios e trabalhos relacionados ao curso até hoje fizeram com que eu só crescesse. Isso é algo pequeno comparado ao resto. Mas, certamente, ser profissional é um lado que me faz ser algo, ou que fará algo de mim. Pois é. Trabalhar para viver ou viver para trabalhar? Um meio termo parece ser o mais sensato.

Encerrei por aqui. Nada de pessoalidade demasiada.